Notícias & Dicas

Caminhoneiros vs Covid-19: como proteger quem não pode parar?

15 de junho de 2020

No Brasil, 60% ou mais das cargas nacionais são distribuídas por caminhoneiros.

Dentro desse contexto de transporte estão alimentos, remédios e inúmeros materiais essenciais. O coronavírus colocou a maioria da população em isolamento, mas o sistema rodoviário segue, mesmo que em número reduzido.

Os motoristas são vitais para evitar a escassez no país. Porém, em contramão, na contramão do isolamento, as longas viagens são um alto risco para a saúde dos profissionais. Diante da pandemia, o que pode e é feito pela segurança de quem se arrisca por nós?

Para começar, vamos entender os desafios enfrentados pelos caminhoneiros, os problemas causados pela Covid-19 — e os agravados por ele.

Depois, o que esta sendo feito para auxiliar esses profissionais. Empresas como Postos, Paradas, Oficinas e Truck centers têm papeis vitais neste processo, já que costumam amparar esses profissionais.

Como está a situação atual dos caminhoneiros?

Segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT), 92,2% do setor rodoviário foi afetado pela pandemia.

Visando diminuir a burocracia para os motoristas, o governo tomou algumas medidas. Desde 23/03, por exemplo, os postos com balanças de pesagem foram suspensos por 90 dias. Qualquer CNH com validade após 19/02/2020 está válida por tempo indeterminado. Além disso, recursos de multas e suspensão também estão congelados.

Ainda assim, a rotina dos caminhoneiros segue incerta. Muitos relatam dificuldade para entregar a carga, já que os locais estão fechados. Sem poder voltar com novo carregamento, profissionais informais perdem dinheiro.

A situação complica ainda mais em viagens longas, já que os lugares de parada geralmente estão fechados. Nas estradas, o caminhoneiro viaja sem borracharias, restaurantes e mecânicas.

Problemas que já eram comuns estão ainda mais graves em virtude da Covid-19. Banheiros e chuveiros de postos, por exemplo, são de uso coletivo e pouco higienizados. Em resumo, o profissional viaja exposto e sem descanso na luta contra a Covid-19.

Por mais que existam ações governamentais, é comum que ela não chegue aos ouvidos do motorista. A maior fonte de comunicação do profissional são os grupos de WhatsApp. No aplicativo, os anúncios digitais não chegam sem o auxílio de colegas.

A precariedade na rotina desses profissionais é um problema de saúde pública. Afinal, as rotas geralmente vão de grandes cidades, onde há grande disseminação, para pequenas cidades, onde há poucos casos e informação sobre o coronavírus.

Um estudo recente da UFPR indica que até 95% dos casos de Covid-19 estão concentrados em trechos rodoviários. Ao batalhar para abastecer o país, esses profissionais estão adoecendo nas estradas.

Em Tocantins, há 24 casos de caminhoneiros com Covid-19 confirmados. Deles, metade vieram de fora do estado. Já um caminhoneiro de Caxias do Sul, de 69 anos, teve seu óbito registrado na Bahia.

Durante a pandemia, qual é o papel das empresas que têm contato com os caminhoneiros? A seguir, veremos que ações podemos tomar para auxiliar no trabalho — e na saúde — de quem não pode parar.

O que empresas parceiras podem fazer pelos motoristas?

Há algumas ações a serem tomadas por concessionárias, truck centers, mecânicas e oficinas. Dentre elas, a principal é ajudar a espalhar a informação para o caminhoneiro. Isso garante que as campanhas cheguem ao objetivo final.

A Sest Senat, por exemplo, está em uma ação nacional com mais de 200 unidades em rodovias por todo o Brasil. Nelas, são distribuídos alimentos e produtos de higiene. Também são realizadas ações para garantir o bem-estar do motorista.

As unidades podem ser localizadas pelo site, ou no aplicativo InfraBR Caminhoneiro. O app também promove um questionário sobre a saúde do profissional, o que auxilia no monitoramento.

Também é importante conscientizar o caminhoneiro sobre medidas preventivas. Durante a rotina do profissional, há pequenas ações que podem diminuir o risco de exposição à doença. É importante que empresas dialoguem sobre o que fazer — e porque é tão importante.

Veja abaixo uma lista de ações simples que o profissional pode aderir para se prevenir nas estradas:

  • Não cumprimente ninguém pelo toque físico;
  • Evite se apoiar em paredes;
  • Não toque em nada sem necessidade;
  • Use máscara sempre que estiver fora do caminhão;
  • Fora do caminhão, higienize as mãos a cada 30 minutos, sempre que tocar em algo ou antes e depois de tocar na máscara;
  • Sempre que fizer uma parada, lave bem as mãos com água e sabão;
  • Para sair do banheiro, não toque diretamente na maçaneta. Utilize um papel toalha ou o cotovelo para abrir a porta;
  • Higienize seu volante, câmbio, freio de mão e painel;
  • Na hora da refeição, dê preferência para pratos e talheres descartáveis ou leve o seu próprio;
  • Não compartilhe toalhas de rosto e nem de banho;
  • Não viaje se sentir algum sintoma, mesmo os mais leves.

Toda a empresa que tem contato com o motorista deve tomar precauções, conforme orientações. O uso de máscaras, redução de contato físico e aferição da temperatura do caminhoneiro são alguns exemplos básicos.

Se possível, promova ações que motivem e valorizem esses profissionais. Um bom exemplo é a Moove, empresa responsável pela produção e venda do lubrificante Mobil.

A marca distribuiu 10mil kits de proteção para caminhoneiros. E mais: qualquer motorista que realizar carga ou descarga nas fábricas ganhará café da manhã ou almoço gratuito.

Durante a pandemia, todo o cuidado é pouco. Buscar a saúde e conscientização dos caminhoneiros é fundamental. Além disso, é o mínimo que podemos fazer por quem se arrisca para garantir nossa segurança.

Garantir a saúde nas estradas é garantir a saúde do Brasil. Por isso, devemos fazer o possível para que as rodovias sejam um lugar seguro e para os motoristas, sempre.





Fale conosco!